E as lutas de verdade recomeçam!

Com o clima mais tranquilo na academia, e a proximidade de dois campeonatos, as lutas mais violentas voltaram a acontecer. Ainda estou mantendo minha política de ‘não machucar’, mas é sempre bom lutar com alguém que percebe que eu poderia bater muito, mas muito mais forte do que o que já bato, e me respeita por isso.
E acho que vou começar a correr atrás de uma luva específica para combates. A luva que eu uso é uma típica de karatê, pequena mas ‘fofinha’, pra machucar menos quem eu acerto. O problema é que, nos combates atuais, a luva pequena mais atrapalha, já que perco uma boa parte da defesa. Com as luvas de 14 onças que o mestre emprestou, a história foi bem diferente, e só tomei um chute no peito, bem fraco (pros meus padrões…).
‘Tá, e o que isso tem a ver com o Van Damme fazendo espacate?‘ - Com o combate, não muito, mas com o ambiente da aula, sim.
Explico: Há um certo ‘preconceito’ comigo, pelo meu físico. Sempre que chega um aluno novo, ou um aluno da outra academia em que o mestre faz o treino, a tendência geral é já ficar prestando atenção no que eu faço, como se a qualquer momento eu fosse fazer alguma coisa engraçada, ou cair por causa do meu peso. Outros, já chegam me considerando ‘café-com-leite’, como se eu não contasse como lutador.
E foram justamente esses dois casos que aconteceram ontem, durante o aquecimento. Dava pra sentir os olhares, ouvir os risinhos, perceber as pessoas apontando. Antigamente, eu ficaria sem jeito, até pensaria em ir embora. Mas não agora. Agora, eu simplesmente faço o que tenho que fazer.
Foi assim com a abertura de perna, logo depois do aquecimento. Pra quem não sabe, consigo fazer abertura de perna quase total. E quem me conhece na academia sabe que antes do meu problema na costas eu conseguia fazer até mais do que faço hoje. Nesse momento, já começo a ouvir os ‘Caramba! Nossa! Melhor do que eu! Mas como?‘. A partir daí, é só espanto, até que no final as vozes se calam. Alguns, ainda chegam pra conversar depois do treino, comentar sobre minhas ‘habilidades de luta’.
O que gera todo esse espanto e respeito é perceber que, ao invés de transformar meu peso numa desculpa, eu transformo num obstáculo a mais. Os meus golpes tem que ser mais rápidos, mais fortes, mais precisos, para vencer esse obstáculo. Com isso, enquanto a maioria se contenta com o ‘mais ou menos’, eu só me contento com a perfeição.
Só assim para as vozes do preconceito se calarem. Por isso, antes de reclamar que na academia ninguém te respeita por você estar acima do peso, verifique se isso não é só uma ‘muleta’ para sua preguiça. Treine, esforce-se, descubra seus limites, e tente ir além, na medida do possível. Seja respeitado por ser bom, não por educação.
E, lembre-se sempre: com exceção de usar calças apertadas, gordos são tão capazes de fazer qualquer coisa quanto as pessoas que estão em forma…
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